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domenica, 05 luglio 2009 Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ... É o tempo da travessia ... Fernando Pessoa postato da atima alle 21:59 commenti (2)
No último feriado aproveitei para anotar receitas antigas da família. Esta , com certeza, é conhecida de todos, mas como minha mãe , ainda hoje, a utiliza, deixo-a aqui para vocês: Pudim de pão 1 xíc. do miolo do pão amanhecido, 3 ovos bem batidos, uma pitada de sal, 1 xíc. de Karo, 1 c.s. de manteiga/margarina derretida, 2 xíc. de leite, 1/2 c.c. baunilha, 1 c. passas, 1 c. raspa de limão. Corte o pão amanhecido em cubos, coloque na forma, "combine" os ovos, sal, karo e manteiga derretida. Junte o leite, as passas, a baunilha e a raspa do limão. Derrame sobre o pão. Polvilhe com a noz moscada. Coloque a forma em uma assadeira com água e leve ao fogo moderado por 1 hora, ou, observar com uma faca que deve sair limpa. O quadro Famiglia contadina in un interno, de 1642, retrata uma família simples, num ambiente rústico, preparando-se para ceia, que aproveitava a última hora de luz do dia. O patriarca, quase idoso, corta o pão duro que precisa apoiar no peito,e sua esposa serve vinho de uma jarra de barro a uma taça de vidro liso. No fundo há o fogo da cozinha, onde se prepara a refeição "de uma só panela" e que também servia de lareira. Louis Le Nain, autor do quadro, viveu uma infância no meio de camponeses ( contadini ), e, remando contra a maré da época dos quadros das famílias aristocráticas, achava que a família humilde era digna de ser representada, mesmo com vestes simples o olhar era intenso como o dos mais ricos. Com Nain o sacro deixa a burguesia e passa para o mundo dos humildes. "Mirror, mirror on the wall, who’s the fairest of them all?" O mito de Narciso O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Em uma leitura possível da famosa obra de Wilde, podemos revisitar algumas passagens do livro que confirmam a relação explícita com o mito de Narciso, uma relação que acreditamos ultrapassar a simples abordagem da ligação do homem com a sua imagem e alcançar, num nível outro de percepção, a fronteira do conhecimento de si e do Ser. (...) e esse jovem Adônis que parece feito de marfim e de pétalas de rosas. Porque ele, meu caro Basílio, é o próprio Narciso. (Wilde, 1993. p. 57) Quando o conheci, percebi que ele não tinha consciência do que era realmente, ou do que realmente podia ser...(p.72) (...) o senhor mesmo, Gray, com sua juventude cor de rosa, e sua adolescência alvi-rósea, terá tido paixões que o tenham atemorizado, pensamentos que o tenham enchido de terror, sonhos despertos e sonhos adormecidos, cuja simples lembrança poderia tingir de vergonha as suas faces... (p.69 ) Outros poetas também abordaram o tema de Narciso, como Paul Valéry em Fragments du Narcysse, no qual demonstra ver o mito de forma positiva, relacionado-o à possibilidade de auto-conhecimento. O teórico Jean Baudrillard, em La societé de consomation revela um Narciso mais atual: ao contrário do Narciso clássico, que abre os olhos, esse Narciso baixa, fecha os olhos; ligado aos meios de comunicação de massa, ele se mira, não num espelho de água ou de vidro, mas numa chapa de bronze, o que dá ao seu rosto o aspecto de uma máscara de bronze." Caravaggio-Narciso É interessante observar a quantidade de elementos que podem ser encontrados em associação à questão do conhecimento, do mundo e de si, através do espelho, e descobrir que, desde a Grécia, o homem se questiona quanto a sua origem e a sua substância espiritual, física e psíquica. No portal do Templo de Delfos estava escrito: "Conhece-te a ti mesmo", sentença que atravessou os séculos e se manteve presente na história da humanidade, através da literatura, das religiões, dos mitos e, principalmente, através do homem. Agora podemos admirar os quadros da artista plástica Vanda Ramirez visitando o seu blog |
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